Publicada em 04/08/2026

Comerciários estão no centro das discussões sobre trabalho nos continentes
Nos dias 3 e 4 de agosto, dirigentes sindicais das Américas se reuniram em Santo Domingo, na República Dominicana, para discutir estratégias de organização sindical em empresas multinacionais e multilatinas, na 11ª edição do Fórum Regional de Sindicatos de Empresas Multinacionais.
O Secretário Geral da Uni Américas, Márcio Monzane deu as boas-vindas aos participantes, oriundos do Brasil, Colômbia, Chile, Paraguai, República Dominicana, entre outros, reforçando o caráter latino-americano da iniciativa.
Delegação brasileira
O presidente do Sincomerciários de Jundiaí e Região e diretor Cultural da FECOMERCIÁRIOS SP, Milton de Araújo, acompanhado pelos assessores Marcelo Soares e Letícia Campanhier, representou a Uni Américas e o Secretariado Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (SENTRACOS), ligado à UGT.
Estavam representando a FECOMERCIÁRIOS, o diretor de Relações Internacionais da entidade e presidente do Sincomerciários de Bragança Paulista, João Peres Fuentes, acompanhado pelo Dr. Ricardo André dos Santos e Jubail Godoy Junior.
A delegação do Brasil contou, ainda, com representantes da FECOMERCIARIOS MG, Levi Fernandes Pinto (presidente), Osanan Gonçalves Santos e Alessandro Jair dos Reis; e da CONTRACS-CUT, Alci Matos Araújo e Jean Carlos Vieira Cabidelle.
Comércio
João Peres Fuentes fez uma apresentação importante durante o Fórum, que abordou o caso do Carrefour, compartilhando a experiência das negociações conduzidas pelo movimento sindical brasileiro e ressaltando a importância da atuação conjunta para fortalecer os direitos dos trabalhadores. Ele destacou que a atuação internacional fortalece as negociações locais e amplia a proteção dos direitos dos trabalhadores, por meio da troca de experiências, da solidariedade entre as entidades e da construção de estratégias comuns.
No segundo dia de evento, o presidente Milton participou de uma reunião do Comitê Executivo de Comércio da Uni Américas, coordenada pelo presidente da Uni Américas Comércio, José Luis Oberto, com membros do secretariado da organização, além de representantes do movimento sindical do país anfitrião.
A reunião teve como objetivo avaliar a situação do setor de comércio na região e definir as prioridades do movimento sindical para os próximos anos. A programação incluiu debates sobre o cenário econômico e político, as mudanças provocadas pelo varejo, pela logística e pelas plataformas digitais, além do acompanhamento do Plano de Ação Regional 2025–2029, com análise dos avanços, desafios e campanhas em andamento.
Também foram discutidos conflitos em empresas multinacionais, a implementação de Acordos Marco Globais, estratégias de fortalecimento das entidades filiadas e o planejamento das ações para 2027. Ao final, o comitê definiu resoluções, responsabilidades, calendário de acompanhamento e as próximas atividades do setor.
A Uni Global ainda deve discutir, ao longo da semana, estratégias para o enfrentamento das problemáticas de outros setores produtivos, além do comércio, com ampla participação de entidades sindicais das Américas.
Durante os dois dias de evento, as lideranças sindicais debateram os seguintes assuntos:
1. Fortalecimento das redes sindicais em empresas multinacionais de diversos países;
2. Negociação coletiva transnacional entre sindicatos de diferentes países;
3. Liberdade sindical e diálogo social;
4. Digitalização e novas formas de organização do trabalho, incluindo os impactos da inteligência artificial e da automação sobre o emprego;
5. Transição justa, relacionando mudanças tecnológicas e ambientais com a proteção do emprego e dos direitos trabalhistas;
6. Saúde e Segurança no Trabalho;
7. Igualdade de gênero e participação da juventude nas estruturas sindicais;
8. Responsabilidade das empresas multinacionais em direitos humanos;
9. Planejamento das ações sindicais para a 20ª Reunião Regional Americana da OIT, prevista para ocorrer também na República Dominicana, reforçando a articulação regional.
Objetivo
Organizado pela Uni Global Union, o Fórum pretende, com os debates, definir estratégias para tornar mais sólidas as redes sindicais com boas práticas de negociação coletiva, visando fortalecer a solidariedade internacional entre as entidades sindicais – sobretudo no enfrentamento das práticas antissindicais. Além disso, serão estabelecidas metas para ampliar a participação dos trabalhadores nas decisões que envolvam mudanças produtivas e organizacionais nas empresas multinacionais.
Milton
“Mais uma vez estamos ampliando os nossos horizontes, saindo das nossas bases para entender o que o mundo está discutindo em termos de relações de trabalho, em níveis multinacionais. Estar aqui acompanhando esses debates é mais que um privilégio. É uma oportunidade de estar alinhado, de fato, com as iniciativas globais de proteção ao trabalhador – e eu não abro mão disso”, comentou o presidente Milton.
Organizações mundiais
Participaram do encontro representantes da Uni Global Union, da Confederação Sindical das Américas (CSA), do Gabinete para as Atividades dos Trabalhadores da Organização Internacional do Trabalho (ACTRAV/OIT), da União Global IndustriALL, da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF), da Federação Internacional dos Trabalhadores da Construção e da Madeira (BWI) e da Federação Internacional de Serviços Públicos (PSI).